Em uma decisão de grande impacto para os usuários brasileiros de tecnologia e jogos, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão preventiva da ferramenta de transmissões ao vivo do Discord no Brasil. A medida visa proteger crianças e adolescentes contra graves falhas de moderação e vazamento de conteúdos nocivos na plataforma.

O bloqueio foca especificamente no recurso de vídeo conhecido como "Go Live" e no compartilhamento de tela com vídeo correspondente. É importante ressaltar que o Discord não foi totalmente bloqueado no país: o aplicativo continuará operando para envio de mensagens de texto, imagens estáticas e chamadas de voz.

A decisão da ANPD e o prazo de adequação

A determinação de suspensão preventiva foi expedida nesta quarta-feira (12) e concede ao Discord o prazo improrrogável de três dias úteis para interromper o recurso de transmissões ao vivo no país. Caso a empresa descumpra a ordem, ficará sujeita a multas diárias severas e a processos administrativos sob as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A suspensão continuará ativa até que a administração da plataforma comprove a adoção de medidas técnicas e de segurança satisfatórias para proteger menores de 18 anos contra conteúdos abusivos.

O motivo: proteção de menores e controle de conteúdo

A investigação preliminar da ANPD identificou fragilidades estruturais nos servidores privados do aplicativo. Por funcionar em um modelo baseado em salas de acesso fechado por convite, o Discord enfrenta barreiras de fiscalização automática por parte de inteligências artificiais e equipes humanas de moderação externa.

De acordo com o órgão regulador, essa falta de controle efetivo em transmissões fechadas permitia que grupos criminosos exibissem de forma impune transmissões de abuso infantil, mutilações e outras condutas ilícitas a menores vulneráveis.

O estopim da suspensão e o clamor público

O caso ganhou relevância após investigações da Polícia Civil revelarem a atuação de um grupo organizado em plataformas digitais. Esse grupo esteve envolvido na morte trágica de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul, onde atos de violência física e psicológica contra a vítima teriam sido exibidos em tempo real na ferramenta de transmissão do Discord.

O incidente repercutiu fortemente no governo federal, inclusive com declarações da primeira-dama, Janja da Silva, pedindo regras mais rígidas ou até o bloqueio temporário total da plataforma para conter crimes cibernéticos direcionados a jovens e estudantes.

A resposta e defesa oficial da plataforma

Em nota oficial, o Discord expressou seu descontentamento com a decisão da ANPD, classificando-a como "prematura". A empresa alegou que a notificação do processo ocorreu na última sexta-feira (7) e que a companhia ainda estava dentro do prazo legal regulamentar para formular e enviar sua resposta de defesa ao governo.

"Estamos desapontados com o fato de a ANPD ter adotado essa medida de forma prematura. Mantemos um diálogo ativo com as autoridades do Brasil para promover um ecossistema seguro."

O Discord declarou que cooperou de forma ativa com a polícia fornecendo dados cruciais para a prisão de criminosos, que o servidor privado associado ao caso foi banido antes mesmo da tragédia consumada e que a ação violenta foi planejada em outras redes sociais fora de sua plataforma.

O impacto regulatório no Brasil

A medida da ANPD aponta para um endurecimento da fiscalização estatal sobre a governança de dados e ferramentas ativas em redes sociais e aplicativos de chat de grande escala. Ela serve como um recado de que recursos baseados em transmissão de vídeo em tempo real sem moderação automatizada robusta sofrerão intervenções imediatas em território nacional, moldando novos padrões de cibersegurança e compliance para as empresas estrangeiras que operam no mercado brasileiro.

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